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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Por um sono mais seguro do seu filho: como prevenir a morte súbita

Academia Americana de Pediatra revisa recomendações sobre o melhor jeito de o bebê dormir. Confira

Quem nunca foi várias vezes à noite ao quarto do filho para ver se ele estava apenas... respirando? Isso acontece em especial pelo pânico dos pais com a síndrome da morte. O termo é usado para designar uma morte na infância que não pode ser explicada depois de investigações, tanto da cena (local onde o bebê dormia), autópsia e revisão da história clínica da criança.

Esse tipo de ocorrido tem resultado em cada vez mais estudos, para encontrar uma resposta sobre o que poderia levar a essa morte prematura. Baseada justamente em pesquisas sobre o tema, a Academia Americana de Pediatria (AAP) acaba de publicar 18 recomendações para que as crianças tenham um sono seguro e previna tanto a morte súbita quanto outros tipos de problemas graves relacionados ao sono, como sufocamento. Confira

- De barriga para cima. Sempre! É a posição mais segura. A criança respira melhor e tem menos risco de engasgo – caso vomite, ela vai girar a cabeça para o lado.

- Dormir só em superfície firme, como no berço e com o colchão no tamanho adequado. Carrinho de bebê, sling, bebê conforto e cadeirinha de carro não devem ser usados para rotina do sono. Tudo bem adormecer por alguns minutos, desde que com supervisão, segundo especialistas ouvidos pela CRESCER.

- A APP recomenda que o bebê durma no quarto dos pais nos primeiros meses,
mas nunca na mesma cama. Isso porque você consegue monitorar a criança e intervir rapidamente caso aconteça algo. Sem contar que vai facilitar na hora de amamentá-lo durante a noite.

- Bichos de pelúcia, travesseiros ou qualquer objeto solto devem estar fora do berço, inclusive protetores. Além do risco de asfixia, acumulam ácaros. O cuidado vale para roupas de cama, que devem ser presas embaixo do colchão.

- Faça o pré-natal correto. Há diversas evidências que relacionam um menor risco de morte súbita em crianças cujas mães fizeram um pré-natal regular.

- Evite contato com cigarro durante a gravidez e após o nascimento do bebê. O desenvolvimento do bebê no útero é prejudicado pelos maus hábitos, o que pode levar à prematuridade – um fator de risco para a morte súbita. Após o nascimento da criança, o cigarro também deve ficar longe. O fumo passivo prejudica o sistema respiratório. Se algum parente ou amigo seu tem o hábito, ele vai ter de fazer isso longe do seu filho.

- Não beba nem use medicação por conta própria durante a gravidez. E isso inclui o período anterior à sua gestação. Quer engravidar? Cuide-se desde já!

- Amamente. Ao sugar o peito, a criança é obrigada a respirar pelo nariz. Assim, desenvolve melhor o sistema respiratório, deixando os músculos fortalecidos.

- Chupeta como aliada. Isso não quer dizer que, se o seu filho não gosta ou não usa, você deve forçá-lo, mas alguns estudos mostram que o uso do acessório diminui a incidência de morte súbita. No entanto, ela deve ser só oferecida ao bebê quando a amamentação estiver estabilizada, depois de três ou quatro semanas de vida da criança.

- Evite superaquecer o seu filho. Ele deve estar vestido de maneira confortável para o clima do dia. Segundo a AAP, a criança deve estar com uma “camada” a mais de roupa do que você. Apenas isso! Também não deve cobrir a cabeça nem as mãos do seu filho, pois são pelas extremidades que ele regula a sua temperatura.

- Vacine seu filho.
Recentes evidências sugerem que a imunização pode ter um efeito protetor contra a morte súbita.

- Cuidado com propagandas de produtos que dizem evitar morte súbita.
Não há nenhum acessório ou produto que tenha essa finalidade, muito menos pesquisas científicas que comprove algum benefício em adquiri-lo.

- Não use monitores cardiorrespiratórios como uma estratégia de reduzir o risco de morte súbita.
Não entre nessa paranoia!

- Deixe seu filho de barriga para baixo (acordado!) apenas para que ele exercite seus músculos. Mas sempre, sempre, sempre com você ao lado dele! Essa posição é importante para ajudar o desenvolvimento motor e muscular e a minimizar o risco de plagiocefalia – quando o crânio do bebê tem alguma deformidade pela pressão que sofre em apenas um dos lados.

- Você tem uma babá? Seu filho fica em um berçário? Com a sua mãe? Faça com que todos que ajudam você nos cuidados com o bebê saibam das recomendações sobre como prevenir a morte súbita.

- De olho na mídia. A AAP ressalta que tanto propagandas na TV quanto nas revistas, nos sites, nos jornais devem seguir as recomendações do sono seguro ao incluir um bebê em seus projetos.

- Campanha frequente. A Academia enfatiza a importância de campanhas ao redor do mundo orientando pais e educadores no cuidados com o sono das crianças, tanto para prevenir morte súbita como sufocamento e outros acidentes. A instituição reforça que os cuidados com o bebê devem ser passados para a mulher ainda durante a gravidez.

- Pesquisas e mais pesquisas.
A cada cinco anos, as orientações para o sono seguro dos bebês devem ser reavaliadas, de acordo com a AAP. Isso inclui novas pesquisas, estudos e investigações por parte dos cientistas.


Fontes: Márcia Pradella, neuropediatra e responsável pelo setor de pediatria do Instituto do Sono, da Unifesp; José Hugo de Lins Pessoa, pediatra e membro do Núcleo Permanente de Estudos sobre o Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Jogar videogame pode melhorar a visão de crianças com ambliopia, diz estudo

Também conhecida como “olho preguiçoso”, a doença é mais facilmente tratada em crianças de até 8 anos, cuja visão ainda não está completamente desenvolvida. Mas também traz benefícios para as mais velhas

Um estudo realizado por uma clínica oftalmológica indiana mostrou que a correção da ambliopia – diminuição da visão sem lesão estrutural aparente – pode ter uma aliada para o tratamento que as crianças adoram: o videogame. No estudo em questão, os médicos separaram 100 pacientes, entre 10 e 18 anos, em grupos. O resultado mostrou que aqueles que jogaram tiveram melhor evolução na visão se comparado com os que não usaram o game.
Apesar de a técnica não ser nova, o estudo traz um diferencial, que é mostrar que a ambliopia (ou “olho preguiçoso”) pode ser diagnosticada e tratada em crianças mais velhas. Segundo Somen Ghosh, autor principal da pesquisa, da Calcutta Nacional Medical College, “elas já podem ter esperanças de conseguir melhorar a sua visão”. No entanto, o benefício ainda é maior para as menores. Na pesquisa, aquelas com menos de 14 anos tiveram uma melhora muito mais significativa.

(LEIA TAMBÉM: QUANDO LEVAR SEU FILHO AO OFTALMOLOGISTA PELA PRIMEIRA VEZ)

Para Paulo Grupenmacher, professor de oftalmologia da PUC Paraná, isso só reforça o quanto é importante descobrir o problema o quanto antes. Até os 8 anos, o olho ainda está em desenvolvimento, o que facilita o tratamento. “O uso do videogame serve para estimular a visão. O olho sem problemas fica tampado, enquanto o ‘preguiçoso’ é forçado a trabalhar”, diz.

O especialista alerta que essa técnica do videogame funciona como uma fisioterapia, só que de exercício visual. De qualquer maneira o acompanhamento com o médico é fundamental. “Videogame exercita, mas não cura”, ressalta Grupenmacher.

Fonte: Revista Crescer

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Placenta: lixo orgânico ou remédio natural?

O consumo e o encapsulmento de placentas estão ganhando força nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, algumas mulheres já aderiram a essa prática, ainda que não existam provas científicas de seus benefícios nem credibilidade dos médicos. Aqui, você vai entender mais sobre o assunto e as razões pelas quais duas mães consumiram sua placenta

“Aqueci parte dela e preparei com vinho, champignon e ervas frescas.” A refinada receita de Gabriela Rodriguez* certamente agradaria ao mais exigente dos paladares e não causaria qualquer estranheza, se não fosse pela escolha da carne: a sua própria placenta. Apesar do caráter exótico, para os dias de hoje, a serenidade na fala e a contextualização do ato fazem a declaração da acupunturista paulistana, de 28 anos, soar com naturalidade. Gabriela, vegetariana e afeita a um modo de vida mais natural, não comeu a placenta que “nasceu” com sua filha, Maria*, hoje com 3 anos, por qualquer imposição religiosa ou modismo. Ela acredita que esse ato é benéfico à saúde. “No nível físico, vejo a placenta como um alimento rico em nutrientes, uma carne preparada pelo próprio corpo da mulher. E acho que o consumo também interfere em outros dois níveis: espiritual e energético”, explica Gabriela.

Apesar de ainda não ser um assunto amplamente discutido no Brasil, a placentofagia, prática do consumo da placenta, está crescendo vertiginosamente nos Estados Unidos e vem conquistando adeptas em território nacional. Como também é o caso da doula Caroliny Ribeiro, de Campinas (SP), que comeu a placenta do parto de seu segundo filho, Caetano, de 1 ano e 11 meses. “A parteira preparou para mim. Ela cortou em pedacinhos e eu comi um deles, cru mesmo, sem tempero”, afirma Caroliny, que enterrou o restante do material, como parte do ritual.

Grávida de 20 semanas, Caroliny não tem dúvidas em relação ao destino da placenta do terceiro filho. Com a ajuda da amiga, Gabriela, que também é aprendiz de parteira tradicional, ela pretende criar um prato mais elaborado no aconchego do seu lar, mesmo local onde deu à luz Caetano. Apoiada pelo marido, Caroliny afirma que o consumo da placenta lhe trouxe benefícios. “Estava me sentindo muito fraca depois do parto e, mesmo que tenha sido só um pedaço, senti que ele me deu forças”, afirma.

A comunidade médica discorda da opinião e da atitude dessas mães. Para Mark Kristal, neurocientista americano especialista em placentofagia, talvez o único do mundo, essa prática é infundada. “Não há nenhuma evidência científica de que o consumo de placenta faça bem ou mal para a saúde dos seres humanos”, diz o médico, que estuda o assunto há mais de 20 anos. Em uma de suas pesquisas, o resultado sugeriu possíveis benefícios do consumo da placenta para os animais, como aproximação com o filhote e redução da dor do “parto”, mas nada que possa ser estendido aos seres humanos.

Para Kristal, muitas pessoas se baseiam no comportamento instintivo dos mamíferos – não humanos -, por acreditar que eles têm um bom motivo para se alimentar da própria placenta. Isso, no entanto, não é o bastante para fazer Gabriela mudar de ideia: “Essa visão científica, que busca eleger, classificar, não é capaz de compreender o que está por trás dessa prática”.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Chegada da primavera pode aumentar os casos de catapora

Veja por que isso pode acontecer, conheça os sintomas, cuidados e forma de prevenir a disseminação da doença

Os períodos de mudança de estação, como agora com a chegada da primavera, são favoráveis à propagação da varicela, popularmente conhecida como catapora. Esse é o alerta da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo. A doença, que é altamente contagiosa, atinge, principalmente, crianças de 1 a 6 anos de idade, e a transmissão acontece por contato e por via respiratória. Ambientes pouco ventilados, creches e escolas são propícios para a disseminação do vírus.

Por conta disso, a melhor forma de prevenir o seu filho é por meio da vacinação. Ela não está disponível na rede pública, e nas clínicas particulares custa, em média, R$ 160. A dose deve ser dada aos 12 meses com reforço entre 4 e 6 anos. Apesar de ser raro a criança pegar a doença quando está imunizada, caso aconteça, será de uma maneira mais branda. O recado de prevenção vale para os pais e cuidadores da criança que não tiveram a doença ou não se vacinaram. A restrição é para as grávidas, que não podem receber a imunização.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Para não dar cabeçadas


 Criança quando bate a cabeça quase sempre é motivo de pânico para a mãe, o pai ou quem mais estiver por perto. Prevenir é o melhor, mas um galo ou outro será inevitável na vida de seu filho. Saiba o que fazer quando se deparar com esse acidente tão típico da infância


A CABEÇA DO BEBÊ

Os bebês geralmente ficam em locais muito altos se levarmos em conta o seu tamanho – isso inclui o seu colo –, e uma queda fica mais perigosa. Os riscos aumentam quando eles começam a se movimentar sozinhos. Mas sabe aquela coisa de dizer que a natureza é sábia? “A cabeça do bebê é mais resistente aos traumatismos já que, como ainda está em crescimento, tolera melhor pequenos aumentos da pressão intracraniana”, explica o pediatra Márcio Moreira, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). Isso também diminui os riscos de fraturas. Por outro lado, uma lesão interna é mais difícil de ser identificada.
 
MOLEIRA E O DESEQUILÍBRIO

Você sabia que a cabeça do bebê mede um terço de seu tamanho total ao nascer e atinge 50% em poucos meses? Por isso crianças pequenas se desequilibram fácil: sua cabeça é grande e pesada em relação ao corpo. A fontanela ou moleira permite esse crescimento e se fecha entre os 12 e os 24 meses. Se houver choque nessa região, observe se a moleira incha ou afunda. “Crianças aprendem muito rápido. Se um dia não rolavam ou ficavam em pé, no outro já conseguem. É a novidade de se sustentar e se mover que causa os desequilíbrios”, explica Carlos Augusto Takeuchi, neurologista pediátrico do Hospital Infantil Sabará (SP).
 
ONDE MORA O PERIGO

A intensidade da pancada é o que mais importa. No entanto, o local onde ela ocorre precisa ser levado em conta. Nos bebês, a região da moleira é uma das mais sensíveis assim como, em qualquer idade, a área atrás das orelhas, bem na lateral da cabeça. Por ali passam artérias que podem se romper, criando hematomas.
 
CUIDADOS IMEDIATOS

Tente não entrar em pânico. A criança já vai estar assustada e acalmá-la fará com que você possa avaliar melhor a situação. Tombos e trombadas fazem parte do aprendizado. Passado o susto, observe se há cortes, sangramentos ou hematomas (os famosos roxos). Você pode fazer compressa com gelo, sempre protegido por um pano, para diminuir o inchaço. Você não pode: passar pasta de dente nem colocar nada quente, pois dilata os vasos sanguíneos. Se a criança ficar bem logo, dá para observá-la em casa. As 12 horas seguintes à batida são as mais importantes, mas fique atento pelos próximos dois dias se não há nenhuma alteração de comportamento. Um estudo publicado na edição deste mês da revista Pediatrics analisou 40 mil casos e apontou que, com um pouco de observação, as tomografias e raios X em crianças que batem a cabeça poderiam ser reduzidos para a metade. Em caso de dúvida, ligue para o pediatra.
 
CASO DE PRONTO-SOCORRO

Se o seu filho desmaiar, vomitar uma ou mais vezes, mostrar desorientação, continuar muito irritado após 15 minutos da queda, ficar muito mole e sem pique ou se o machucado não parar de sangrar, não pense duas vezes e vá ao hospital. Esses sintomas podem aparecer mesmo horas depois.
 
DORMIR OU NÃO DORMIR

As instruções não são tão rígidas assim. Você pode, sim, deixar seu filho dormir. A sonolência é normal após a batida e uma cochilada de até 20 minutos ajuda a relaxar. O que não pode é um sono muito profundo por mais de três horas seguidas, em que a criança não acorda logo que você chama ou para mamar, no caso dos bebês
 
PERGUNTE PARA O SEU FILHO

Se ele já sabe falar, pergunte se ele está tonto, enjoado, onde dói, se sente sono. No caso de você não estar por perto na hora do acidente, pergunte para a pessoa que estava com ele: o que estava fazendo quando bateu a cabeça; se estava em pé, sentado, correndo; de qual altura e de onde caiu; em que parte da cabeça foi a pancada e como foram as reações de seu filho.
 
PREVENÇÃO, O MELHOR REMÉDIO

“Por estar no colchão, as pessoas acham que a cama do casal é segura, mas não é nada se a criança estiver lá sozinha”, alerta Simone de Campos Vieira Abib, cirurgiã pediátrica da Unifesp e presidente da ONG Criança Segura. Berços devem ser regulados: conforme seu filho começa a ficar em pé e se apoiar nas laterais, posicione a grade acima da linha dos mamilos, para evitar quedas. Retire tudo que puder servir de apoio. Se ele já cresceu demais, é hora de passá-lo para a cama. Proteja escadas com grades e ensine que ele não deve subir na privada com a tampa fechada, pois ela pode se quebrar. E, por último, a regra mais importante: um adulto sempre por perto e sempre atento.